Varazim Teatro

Primeiro Amor (Antestreia)

Primeiro Amor (Antestreia)


SÁBADO 28 de Setembro | 22h

Cine-Teatro Garrett


projeto Rui M. Silva e Pedro Diogo

Sinopse:

“Primeiro Amor” é um conto de Beckett, uma narrativa na primeira pessoa que tem as condições perfeitas para ser trabalhada e apresentada como monólogo.

“Primeiro Amor” fala-nos de um homem absolutamente solitário, com graves problemas de sociabilização, vive completamente desfasado dos acontecimentos que o rodeiam, e ou retira destes conclusões bastante peculiares.

Aos vinte e cinco anos, momento em que nos relata esta história, apenas se relaciona com o seu pai, já morto, e com o seu amor, Lulu. Com as restantes pessoas relaciona-se de longe, nada tem contra elas, excepto o seu fedor.

Ficamos também a saber que o seu sitio preferido são os cemitérios – prefere a convivência com os mortos de que com os vivos.

Lulu, a mulher que ama, é uma prostituta que o acolhe na sua casa, onde vive e onde trabalha. Lulu, passa a ser a sua mulher e espera um filho seu.

No final deste relato nasce o seu filho, assoberbado com a situação, sai de casa, embora afirme que não abandonou aquele amor.

É um relato/ monólogo muito intimista, onde a personagem (sem nome) revela os aspectos e os labirintos mais profundos da sua alma e da sua vivência, pontuando-os sempre com o humor negro, característica Beckettiana.

Trata-se portanto de um ser “especial”, fora da caixa, que relata a sua amargurada existência, potenciando no espectador a sua empatia e cumplicidade.

Um actor, uma história e o público. Teatro na sua essência – teatro parco em artifícios cénicos.

Iluminação e ambiente sonoro exclusivamente dedicados à narrativa e ao pulsar da história, onde o ritmo é ditado pelo texto, pela fisicalidade do intérprete e pelo encontro com o público.

Teatro feito olhos nos olhos – actor e espectador.

Ficha técnica:

Tradução e Dramaturgia: Francisco Luís Parreira, Pedro Diogo e Rui M. Silva

Encenação: Rui M. Silva

Interpretação: Pedro Diogo

Cenografia e Figurinos: Brigite Oleiro

Desenho de Luz: Rui M. Silva

Produção: Sara de Castro

Apoio Institucional: Fundação GDA

Projeto Rui M. Silva e Pedro Diogo:

PERTINÊNCIA NO PERCURSO PROFISSIONAL DOS PROPONENTES

Ao longo de mais 20 anos de trajecto profissional, vai-se ganhando consciência das metodologias que sustentam as opções técnicas do trabalho do actor. Se no início a intuição guia as nossas escolhas, com as diversas experiências, nos mais variados contextos profissionais, vamo-nos apercebendo que há uma técnica e uma ética que vai alicerçando uma determinada “maneira de fazer” que nos caracteriza como actores. Nós

temos em comum uma raíz, fizemos os dois a mesma “escola”, a Técnica da Máscara. O que para nós é diferenciador desta técnica é que ela contém nos seus princípios uma ética do trabalho do actor, mas seguindo esta metodologia não somos conduzidos necessariamente a uma determinada estética. A Técnica da Máscara constitui-se para nós como uma espécie de vocabulário, de ferramenta, de discurso cénico que serve de âncora ao trabalho que temos desenvolvido ao longo dos anos, mas não uma âncora

de constrangimento, pelo contrário, acreditamos que a Técnica da Máscara potencia a criatividade do actor e é absolutamente libertadora por isso.

Sentimos que é chegado o momento de condensar todas as aprendizagens e

experiências que fomos fazendo ao longo dos anos e sintetizá-las neste projecto, em que nos colocamos os dois frente a frente, um como encenador, outro como actor, partilhando esta língua que ambos falamos.

Beckett é um dramaturgo que conhecemos a fundo. Já um e outro fizemos espetáculos com textos de Beckett. Confessamos a nossa “paixão” pelo universo Beckettiano.

Também os dois temos formação e experiência na Construção de Máscaras.

O Pedro Diogo trabalhou em Construção de Máscaras em Couro com Bernardo Rey (discípulo de Sartori, o mestre maior da construção de Máscaras em Couro para teatro contemporâneo), em Itália, formação apoiada pelo Fundo Cultural da GDA em 2007, da qual resultou a criação de uma máscara inspirada na personagem Estragon, de “À Espera de Godot”.

A Técnica da Máscara chegou-nos primeiro com o Filipe Crawford. Os dois desenvolvemos depois esta técnica com o Nuno Pino Custódio em diversos projectos em que participamos como actores. Mais tarde fomos trabalhando com outros criadores que desenvolveram o seu trabalho partindo também desta técnica, nomeadamente o Miguel Seabra.

Assim, neste encontro, propomo-nos fazer o trabalho de tradução, dramaturgia e encenação do universo de Beckett espelhado na obra “Primeiro Amor”, partindo da premissa para nós fundadora e essencial do teatro, o encontro entre o actor e o espectador.

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This entry was posted on 4 de Setembro de 2019 by in Festival É-Aqui-in-Ócio.

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