Temporada Teatral [PVZ], Maio: Marx na Baixa

Temporada Teatral na Póvoa de Varzim, Maio – Marx na Baixa

Marx desce à Baixa da Póvoa de Varzim

A Temporada Teatral segue com a sua programação regular, em Maio uma adaptação do original Marx in Soho. Será apresentada no Cine-Teatro Garrett.

MAIO, 2

22h Cine-Teatro Garrett

Marx na Baixa

Título original: Marx in Soho
Autoria: Howard Zinn
Tradução e adaptação: António Santos
Género: Comédia
Encenação: Mafalda Santos Dias
Interpretação: André Levy

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Sinopse:

Que tremam as classes dominantes!
Um espectro assombra os teatros. Para limpar o seu nome, Karl Marx regressa ao mundo dos
vivos e vem a Lisboa para provar que não está morto. Está e não está! (Eis a dialéctica!)
Um fantasma assombra os teatros! Podem as classes dominantes tremer ante o seu regresso: Karl

Marx visita Portugal! “Marx na Baixa”, com encenação de Mafalda Santos e direcção técnica de João Barreiros, a tradução e adaptação (António Santos) do original de Zinn, pisa pela primeira vez os palcos portugueses. Munido de boa cerveja portuguesa e um acervo de jornais do dia, Karl Marx (André Levy) visita Portugal para nos dizer de sua justiça, para nos contar uma história ou duas sobre a sua vida e para discutir as notícias que a espuma dos dias traz a Portugal, mas também para defender a sua honra e nos desafiar a defender a nossa.

Classificação Etária: M/12

INFO ADICIONAL:
Entradas disponíveis no Cine-Teatro Garrett
Das 10h30 às 12h30 e das 15h30 às 17h30 de segunda a sexta
A partir das 15h30 no dia do espetáculo

**
Reservas a partir do email vt@varazimteatro.org e dos telefones 916439009 e 912420129
Valor das Entradas: 7,00€
Com desconto para Estudantes, Reformados, menores de 25 anos e maiores de 65, desempregados, pessoas portadoras de deficiência, grupos de 8 pessoas – 5,00€
Associados ao Varazim Teatro: 3,50€

O projeto Marx na Baixa:

E se homem barbudo de há dois séculos, vestindo um fato e gravata, carregando uma mala, talvez de livros, talvez de ideias, aterrasse em Portugal? E se esse homem fosse Karl Marx, que para reivindicar o direito a limpar o seu nome veio cá abaixo, mais propriamente à Baixa?

Este é o mote de Marx na Baixa, um espectáculo que mostra o lado mais humano do filósofo alemão. Uma mesa, duas cadeiras e quatro ou cinco adereços são o que Marx precisa para marcar um encontro com os lisboetas e para nos enviar numa viagem tão histórica como íntima, tão política como sentimental, tão profunda como irresistivelmente hilariante.

De Marx in Soho a Marx na Baixa

Marx marca de forma indelével a narrativa histórica do século XX. A sua filosofia inspira revoluções, redesenha fronteiras e agita, com a promessa de um mundo novo, os corações da humanidade inteira. Mas se 130 anos depois da sua morte o capitalismo triunfante garante tê-lo varrido para debaixo do baú das antiguidades filosóficas, porque será necessário declará-lo morto uma e outra vez? É para responder a esta pergunta que Karl Marx, em licença de uma hora, regressa ao mundo dos vivos. Marx in Soho, foi escrita em 1999 por Howard Zinn (1922-2010), historiador e dramaturgo norte-americano, mais conhecido pela sua autoria da “História dos Povos dos EUA”. A suas obras foram distinguidas com dezenas de prémios, entre os quais o Thomas Merton Award, o Eugene V. Debs Award, o Upton Sinclar Award e o Lannan Literary Award. De estivador a doutor pela Columbia University e professor catedrático, o percurso de vida de Howard Zinn é indissociável do seu compromisso para com a justiça social e a simpatia pela causa dos humilhados.

Dizia Goethe que na impossibilidade de ser imparcial, vale mais a pena ser honesto. Marx in Soho é isso mesmo: tão parcial como sincera, tão política como verdadeira. Traduzida para dezenas de línguas e levada à cena em mais trinta países, Marx in Soho é uma crítica mordaz às hipocrisias e injustiças dos nossos tempos; uma fotografia vívida e apaixonante de Marx como a voz de uma humanidade insubmissa perante a iniquidade. O Marx de Soho não é uma caricatura nem um ídolo de barro. As mãos habilidosas de Howard Zinn historiador e activista modelaram um Karl Marx além da figura histórica, que é também um pai carinhoso, um marido dedicado e um crítico surpreendentemente lúcido do mundo actual. Mas Marx in Soho não nos oferece apenas uma original síntese dramática da filosofia marxista. Sustentado por uma investigação histórica de vários anos, Zinn foi capaz de reimaginar a personalidade, a vida e os dramas de um Karl Marx completamente humano. Este é o Karl Marx que bebe cerveja e sofre de furúnculos; Permanentemente exilado e procurado pela polícia, apaixonado pela sua mulher Jenny, desempregado e sem dinheiro para sustentar os filhos. Este é o Karl Marx verdadeiro, irascível e brilhante, que vê morrer três dos seus cinco filhos em condições miseráveis e que, apesar de tudo, nunca perdeu a esperança num mundo mais justo.

À deriva do seu animado monólogo, Karl Marx partilha com o público detalhes da sua vida íntima, comenta os grandes acontecimentos históricos da sua época, imiscui-se provocadoramente na nossa e apresenta-nos personagens deliciosas como o intempestivo anarquista Bakunin, a precoce revolucionária Eleanor ou o potencial burocrata Peeper. Howard Zinn dizia com propriedade que esta não é uma peça sobre política. É uma peça sobre Marx. É essa subtileza que confere a força e graciosidade necessárias a que, independentemente das opções políticas de cada um, ninguém fique indiferente a um Marx ora embalado pela esperança, ora dilacerado pela culpa, ora consumido pela tristeza, ora incendiado de raiva.

A relevância de uma peça ou a urgência de uma adaptação

Mas, por um erro burocrático das entidades do além, Karl Marx não aterra no Soho, Londres, que originalmente planeava visitar, nem no Soho, New York, onde em 1999 Zinn o colocou, mas em Portugal, no ano de 2014. “Marx na Baixa” não é só a primeira tradução desta peça para língua portuguesa nem tampouco só a primeira vez que subirá aos palcos em Portugal, é a completa adaptação do original aos nossos dias e à realidade política e social que o nosso país atravessa. A transformação do texto original incide em grande medida sobre três vectores: a actualização de comentários e notícias que desde 1999 perderam relevância; a adaptação a Portugal das referências à política e cultura norte-americanas e, por fim, a suavização de alguns matizes políticos a que o curso da História obriga.

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