Fragmentos

A partir de textos de Samuel Beckett

encenação: Eduardo Faria

FICHA TÉCNICA

interpretação: Eduardo Faria, Valdemar Santos
desenho de luz Leunam Ordep
música e sonoplastia Alfredo Teixeira
fotografia: Marcos Araújo e Filipe Correia
design gráfico: +ou- design
operação técnica: Guilherme Novo; Joana Sousa; Pedro Carvalho

Foto_C022

Duração do espectáculo 45 minutos aproximadamente
“O MAIOR DELITO DO HOMEM É O DE HAVER NASCIDO”.

Samuel Beckett
Às vezes aquilo que nos aterroriza
é mais inconsistente do que uma visão.

A transformação é necessária
porque os teus olhos são brancos como os de um cego.

Saberás ver com a mente?
O Porquê deste espectáculo
Claro que tratando-se de Beckett, a passagem do centenário do seu nascimento bastaria para justificar a realização deste espectáculo.
Ou então também é claro que tratando-se de Beckett não há necessidade de justificar o que quer que seja.
No entanto não podemos ignorar que desde há muito que a Humanidade tem vindo a avançar em direcção ao abismo. Sendo esse avanço cada vez mais pronunciado e rápido. Nos dias de hoje podemos mesmo afirmar que só falta à Humanidade dar mais um passo, o derradeiro passo, para que a queda se concretize.
Por isto não restam dúvidas ao Varazim de que este espectáculo se justifica plenamente, nas pessoas a quem chegar.

Fragmentos, por Eduardo Faria

Devo começar por confessar que Samuel Beckett tem a ambiguidade de me irritar e fascinar simultaneamente.

Samuel Beckett irrita-me pela sua actualidade, pela forma justa e acertada como indica a impossibilidade de futuro para esta nossa humanidade. Ou, vendo melhor as coisas, direi que, o que me irrita de verdade em Beckett é o facto de ele me lembrar de que eu não posso deixar de ser uma célula desta Humanidade doente, o que faz com que, também eu, esteja impossibilitado de ter futuro.
Por outro lado Samuel Beckett fascina-me pela sua grandiosidade e pela dimensão da sua obra. Pela sua capacidade de se ausentar, o que lhe permite observar o tema único do teatro, a Humanidade.

A sua obra fascina-me pela sua característica simplificoscópica, que nos causa a sensação de não sermos cegos, quando nos olhamos através dela.

Na verdade Beckett é muito mais que tudo aquilo que eu possa dizer. É muito mais que tudo aquilo que todos nós possamos dizer.
Na verdade Beckett apenas é! E ponto final.

Fragmentos, por Valdemar Santos

Monólogo 1
Saio
Todos os dias
Em busca de noticias

Não compro jornais
Não vejo TV

Escrevo com os sentidos
O livro das minhas impressões

Do ar
Adivinho as sombras
E por elas me guio
E me defendo
Como posso.

Diálogo 1 e 1
“- Não sou suficientemente infeliz!
– Mas por que é que não acaba consigo?”
(extracto do texto do espectáculo)

Monólogo 1
Cerrados
Estes meus dentes cerrados

Com eles arrasto
O meu cérebro

Uma bala
Na câmara escura

Aguardo o latido do cão

Anseio pela viagem
mas sei que será curta!

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