O Diário de Alex Drástico e Blá Blá Blá…

A partir de textos de António Albanese

tradução: Joana Soares
encenação: Eduardo Faria
interpretação: Walter Lemos Martins
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cartaz_ALex DRastico
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Espectáculo para M/12
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Sou Fábio Amado, aliás Alex Drástico.
Sou um ex- vagabundo, um ex-comercial, um ex-portuense, um ex-pertence, e actualmente sou inspector da Segurança Social. De resto, na vida, é necessário ser ex qualquer coisa, ou de outro modo não és ninguém, és um falhado. Eu escrevo, sim, exactamente, escrevo! Eu escrevo para rir, por prazer, para entreter, por dever, para comer, por bem querer, para não morrer, para algo fazer, para arremeter, para cozer (gosto de cozinhar), para acender, para conhecer (adoro viajar), para humedecer, para aborrecer, basta, socorro sou escravo da rima. Fazei-me sair, escapar, fugir! Eu escrevo para o António porque ele à noite come tremoços! É um detalhe importante, porque os tremoços são salgadíssimos e como se isto não bastasse, ele não bebe e fala ininterruptamente.
O actor deve falar, silabar, exemplificar, soletrar, educar, radiografar, divagar, filosofar, mastigar… Socorro! Outra vez a rima! Libertem-me!
Começamos a ler juntos aquilo que eu escrevia e ríamos “Valha-nos Deus” decidimos fazer rir também os outros. Vocês continuam a rir, aconselho-vos, o desprazer, sem temer, sem conter, sem clister.
Socorro! Chega! Sempre esta rima! Quero fugir, repartir, fluir, Ahhaaahhhahaaah!
Eu escrevo para rir, e quando estou com o António, fazemo-lo temperando-nos de rosmaninho, canela, pimentos e os imprescindíveis tremoços.
Fábio Amato
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Este espectáculo contém linguagem susceptível de ferir a sensibilidade de alguns espectadores.
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